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Câmpus Gaspar apresenta no Sepei pesquisas sobre a participação das mulheres negras na música e na ciência PDF Imprimir E-mail

Nos intervalos culturais que são feitos no Câmpus Gaspar, os alunos podem escolher as músicas que querem ouvir e o que chamou a atenção da aluna do técnico integrado Sabrina Moura é que poucas músicas eram de mulheres negras. O que motivou ela e as alunas Camila Franco e Larissa Bressanini a realizarem uma pesquisa com os alunos e o resultado é que poucos sabiam identificar cantoras brasileiras negras. Outra pesquisa que vêm sendo realizada no Câmpus é sobre a inviabilização da mulher negra no meio científico brasileiro, em que apenas 0,4% dos professores do magistério superior do Brasil são mulheres negras. Os dois trabalhos fazem parte das pesquisas realizadas no âmbito do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Câmpus Gaspar e que serão apresentadas no Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepei), de 30 de julho a 1º de agosto em Chapecó.




O trabalho “Mulheres negras na música: protagonistas, coadjuvantes ou desconhecidas? Um estudo com foco na lei nº 10.639” será apresentado em forma de pôster no dia 1º de agosto na sala Agostinho Duarte, das 9h às 12h, no Sepei. “Nós elaboramos um questionário que foi aplicado com os alunos em que tinham questões abertas onde perguntávamos sobre quais cantoras negras brasileiras eles conheciam e muitos não responderam ou citaram cantoras como Beyoncé e Rihanna. Quando colocávamos fotos de cantoras brasileiras, a maior parte não sabia identificar quem elas eram. Esses dados são bastante significativos se formos pensar que os alunos representam uma parcela do público jovem brasileiro e isso nos mostra o quanto as mulheres negras estão invisibilizadas. Para a pesquisa, fizemos também uma entrevista com a cantora Teresa Cristina e ela falou de sua experiência enquanto mulher negra e cantora”, explica Sabrina Moura.


A partir da pesquisa que realizaram, o grupo tem se dedicado a estudar questões que envolvem o feminismo negro e querem levar parte dessas discussões para as apresentações do grupo de dança do Câmpus Gaspar. Elas também estão organizando uma pesquisa que relaciona a escolaridade, a cor da pêle e as oportunidades que as pessoas têm ao longo da vida.


Outra pesquisa que vêm sendo realizada no Câmpus é sobre a participação das mulheres negras no meio científico brasileiro: as ciências humanas e da linguagem como meios de promover uma educação antirracista e que vise os direitos humanos. “Nós usamos como base para a pesquisa o trabalho da professora Joselina Barbosa da UFRJ. Ela observou que dos mais de 63 mil docentes do magistério superior no Brasil, apenas 251 são mulheres negras, o que em termos percentuais, representa menos de 0,4% do total. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e desse total mais de 114 milhões se autodeclararam pretos ou pardos, o que representa 55,4% da população brasileira. Sendo que desse número, 53,20% são mulheres negras”, explica a aluna do técnico integrado Eduarda Reichert.


A partir da pesquisa, a proposta é pensar em estratégias e metodologias para a construção de uma educação antirracista. “Analisando os dados da pesquisa, podemos observar que mesmo sendo a grande maioria da população, muitas mulheres não ocupam determinadas funções porque a cor, classe e gênero interferem nesse processo, isso sustenta o argumento de que o Brasil é um país não só machista, mas também racista. Participar da pesquisa me fez rever muitas coisas, inclusive eu passei a me identificar como uma mulher negra”, afirma Eduarda.



Por Beatrice Gonçalves | Jornalismo IFSC

 

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