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Câmpus Gaspar leva para o Sepei pesquisas realizadas sobre a imigração haitiana no Médio Vale do Itajaí PDF Imprimir E-mail

A partir das aulas de “Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Estrangeiros”, o Câmpus Gaspar levantou uma série de demandas dos imigrantes haitianos que vivem no Médio Vale do Itajaí. A primeira delas é que as aulas tinham que seguir uma metodologia própria, que atendesse as especificidades da população, e nesse processo era preciso também capacitar os profissionais da educação básica. Observou-se ainda que os imigrantes tinham dificuldades em se comunicar nos postos de saúde e no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Para ajudá-los, alunos e servidores do Câmpus Gaspar têm se dedicado a produzir materiais de apoio como vídeos, placas e folders em três idiomas, que serão disponibilizados nos postos de saúde, e um aplicativo com perguntas e respostas, que poderá ser baixado no celular quando eles precisarem de atendimento no CRAS. Esses trabalhos serão apresentados no Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepei), que será realizado de 30 de julho a 1º de agosto em Chapecó.

 


 

O professor do Câmpus Gaspar Luiz Herculano Guilherme, que é um dos responsáveis pelas aulas do curso “Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Estrangeiros”, explica que a metodologia de ensino adotada precisou levar em consideração algumas especificidades. “É muito diferente a aula dada para uma turma de intercambista para uma turma de refugiados, que é o caso dos haitianos que vêm para cá. O ensino também não pode ser da mesma forma que é feito para alguém que tem como língua materna o Português. No Haiti, a maior parte dos alunos são alfabetizados em Francês, só há pouco tempo que o Crioulo Haitiano também passou a ser ensinado nas escolas, antes era uma língua oral. Já tivemos até o relato de uma escola daqui da região que achava que alguns alunos haitianos não sabiam ler e escrever, mas não era o caso, o que temos observado são alguns déficits na língua materna.”


Dentre as dificuldades encontradas pelos haitianos nas aulas de Português, estão temas relacionados a questões gramaticais como conectivos das frases e acentuação e na estruturação de um texto escrito. Para ajudá-los, estão sendo produzidos materiais de apoio como vídeos com orientações para situações do dia a dia. O que envolve não só os servidores e profissionais que ministram as aulas, mas também alunos do Câmpus Gaspar que atuam como monitores. Essa experiência será apresentada no Sepei no “Entre desafios e recomeços: a percepção discente a respeito do ensino de Português para estrangeiros em Blumenau” como pôster no dia 31, das 9h às 12h, na sala Agostinho Duarte, e servirá como base para cursos que serão ofertados para formação de professores da rede básica de ensino do Médio Vale do Itajaí.


Nas aulas de monitoria que a aluna do técnico integrado em Química Maria Luiza Reis acompanha em Blumenau, ela identificou que muitos haitianos tinham dificuldade em se comunicar nos postos de saúde quando precisavam descrever em Português as regiões do corpo e a intensidade de uma dor. Ela escreveu um projeto, que foi aprovado pelo edital de protagonismo discente, para produção de materiais impressos em Português, Francês e Crioulo Haitiano que pudesse melhorar essa comunicação com profissionais da saúde. São placas com imagens do corpo humano e fichas que explicam como funciona o sistema público de saúde, que serão utilizados em postos de saúde de Gaspar dos bairros Sete e Coloninha, que são os que registram o maior número de atendimentos a haitianos. Esse trabalho será apresentado no Sepei com o título “Estratégia da saúde da família: saúde para os haitianos” na sala Escola Paulo Freire, no dia 1º de agosto, das 9h às 12h.


Outro projeto que o Câmpus Gaspar levará para o Sepei é o ImigraFAQ. O aplicativo está sendo desenvolvido por alunos do técnico integrado em Informática a partir de uma demanda do CRAS, que tinha dificuldades no atendimento da população haitiana. A proposta é que o aplicativo possa ser baixado nos celulares e que tenha uma série de perguntas e respostas sobre a legislação trabalhista brasileira, o sistema público de saúde e sobre questões relativas à educação em três idiomas. “O CRAS está fazendo o levantamento das informações que devem ser disponibilizadas e os alunos do técnico integrado em Informática irão desenvolver o aplicativo. Os alunos estão muito motivados e isso também será um diferencial no currículo deles. Muitas empresas, na hora de contratar, levam em consideração a participação dos estudantes no desenvolvimento de aplicativos ou mesmo códigos de programação”, explica o professor do Câmpus Gaspar Rômulo Benincá.



O aplicativo está sendo desenvolvido como parte de um projeto integrador e a ideia é que até dezembro ele já esteja em funcionamento. “Eu estou me sentido muito motivada a fazer algo que terá uma aplicação prática”, explica a aluna do técnico integrado em Informática, Raquel Isensee.


Por Beatrice Gonçalves | Jornalismo IFSC

 

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